Porque Parcerias São Melhores Que Namoros

Relações vazias podem ser encontradas em qualquer esquina. Se seu filtro não estiver ligado, você acha alguém pra namorar no primeiro anúncio. Se o que quer é alguém com quem transar, alguém pra quem ligar antes de dormir pra dar boa noite ou alguém com quem andar de mãos dadas pela rua, basta sinalizar que logo vai aparecer um sujeito com as mesmas necessidades. O ser humano não foi feito pra viver sozinho – necessitamos de aconchego. Mas quantos desses encontros nas esquinas da vida se tornam parcerias, em vez de amores inventados?

Suspeito que muito poucos.

A nossa necessidade de viver com companhia começa no momento em que nossas mães nos pariram. Nem conseguimos ainda abrir os olhos, mas já vamos farejando o cheiro daquela que nos protege, nos alimenta e nos acolhe. Depois, na pré-escola, procuramos instintivamente aquele ser mais parecido com a gente entre os tantos sentados na roda cantando atirei o pau no gato. Quando crescemos e nossas necessidades sexuais dão as caras, buscamos alguma companhia com quem também podemos fazer sexo, com a intenção de satisfazermos todas as nossas necessidades num combo só.

No entanto, muitas vezes essa necessidade de encontrar alguém com quem caminhar junto acaba nos unindo com pessoas que apenas querem trocar interesses. Nossas ações são determinadas de acordo com o que esperamos do outro. Explico – queremos receber carinho, então fazemos carinho. Queremos ouvir eu te amo, então dizemos eu te amo. Queremos um boquete gostoso, então fazemos um boquete gostoso. Queremos ouvir que estamos lindos, então dizemos que o outro está lindo.  Até aí, nada de errado. O problema é que muitos relacionamentos param aí – apenas na troca, apenas na espera de um retorno. É como o cara que quer ser visto como o fodão e escolhe a namorada mais gostosa que consegue – mas se ela engorda e deixa de completar esse vazio nele, ele a deixa, sem pesar. Ou seja, a partir do momento que o outro deixa de te satisfazer de alguma forma, larga-se o sujeito e busca-se alguém que alimente as necessidades do seu ego. A reciprocidade, nesse caso, é interesseira.

Por isso, relacionamentos mais felizes e completos não são apenas uma troca de interesses – são parcerias verdadeiras, coisa difícil de encontrar nos dias de hoje. O parceiro, no significado mais lindo da palavra, é aquele que reconhece seu ser como um ser complementar, apesar dos seus defeitos. Quando percebe-se que se instaurou uma parceria verdadeira, os dois integrantes (ou mais, dependendo do tipo de relacionamento) logo reconhecem que ali se formou uma preciosidade, e cuidam dela com todas as forças. Os parceiros querem sim ser recompensados, mas eles não querem crescer sozinhos – os corações se unem de uma forma quase cósmica, e passa-se a desejar o bem do outro tanto quanto o seu próprio bem.

Quero sim ouvir eu te amo, mas dizer eu te amo passa a ser tão importante quanto.

Quero sim cafuné na cabeça, mas fazer cafuné passa a ser tão importante quanto.

Quero sim alguém com ideias que me façam crescer, mas o crescimento do outro passa a ser tão importante quanto.

Assim, a roda gira. Cria-se um ciclo de intenções verdadeiras e de ações concretas que fortalecem os parceiros. Pode-se andar tranquilamente de olhos vendados, pois sabe-se que os olhos do outro servirão pra te guiar enquanto você não enxergar a luz. A partir do momento em que trabalhamos nosso altruísmo com relação ao nosso ser, nos tornamos seres menos egocêntricos e, portanto, mais evoluídos. Quando verdadeiramente nos movemos de forma a fortalecer o outro, automaticamente nos fortalecemos. É a lei irrefutável da ação e da reação.

Tem gente que passa a vida toda sem encontrar um parceiro de verdade – e aí acabam escolhendo outros seres com os quais não necessariamente desenvolveu-se uma relação amorosa. Tem gente que escolhe o cachorro, o amigo de infância, um tio, a avó, o que também é ótimo. Mas é melhor ainda quando conseguimos uma parceria com alguém com quem podemos inclusive satisfazer outras necessidades, como as sexuais. Assim, junta-se tudo num delicioso pacote.

E se você teve a dádiva de encontrar um parceiro, agradeça. Não deixe de agradecer uma noite sequer quando estiver dormindo no peito dele, ganhando aquele carinho que só se materializa quando é oriundo de um amor de verdade. Você ganhou um presente que muitos passam a vida toda sem sequer imaginar a cor do pacote. O tempo de duração aqui passa a ser secundário – parcerias nem sempre duram pra sempre, mas, como em praticamente tudo na vida, mais vale a intensidade do que a duração. Melhor ter um parceiro de verdade por um mês, do que um sugador de energia durante a vida toda. O tempo é relativo – dura o quanto fazemos durar. E aí, voltamos a dizer: prefira a provisoriedade completa, do que a permeabilidade vazia.

Texto extraído do Casal Sem Vergonha.

Escreva sua opinião

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s